Hoje, transformo minha alegria em luto! A morte não foi súbita, mas não deixou de ser dolorosa.
Quer saber? Quero mais é que essa população se aliene.
De agora em diante, só sabem nos olhar e dizer que não lutamos.
Muito mais que vocês, somos idealistas. E a causa é sempre boa e era por vocês. Lutamos sim!
Agora, que se alienem. Que comam nas mãos daqueles que elegeram!
Agradecemos a ajuda pelo nosso diploma. Agradecemos o apoio. Agradecemos pela ajuda de todos vocês. Aliás, não se mostra os dentes ao parente do morto. E se fosse o seu? Ao contrário, nós estaríamos lutando com vocês.
Que se alienem.
Que a imprensa de amanhã ensine seus filhos a escrever errado. Que lhes mostre o que não é a ética, o respeito. Que lhes dê toda a parcialidade do mundo.
Porque tínhamos estudado por respeito a vocês!
Quer saber? Sejam políticos, assim como eles. Sejam empresários. Sejam felizes já que, agora, conseguiram nos enfraquecer.
Mas quer saber? Um idealista nunca deixa seus sonhos no meio do caminho!
Sexta-feira, Junho 19, 2009
Quarta-feira, Maio 20, 2009
Outro dia, perguntaram-me...
O que mais marcou a sua infância?
- Ah, poderiam ser todos os riachos escondidos, ou as abelhas cutucadas. Poderiam ser as amizades da casinha no fundo do quintal. Poderiam ser as conversas com as árvores. Ou os programas da TV Cultura. Será os discos ouvidos na casa da vovó? Ou as frutas colhidas no bosque. As brincadeiras de rua, riscada de giz. Mas o que marca a infância é a infância, que ficamos na lembrança sempre que vemos uma criança caindo de uma bicicleta e assoprando o mentiolate do ralado. O que mais marcou ainda vivo: a felicidade de ser o que era, com os mesmos inocentes e poderosos princípios.
- Ah, poderiam ser todos os riachos escondidos, ou as abelhas cutucadas. Poderiam ser as amizades da casinha no fundo do quintal. Poderiam ser as conversas com as árvores. Ou os programas da TV Cultura. Será os discos ouvidos na casa da vovó? Ou as frutas colhidas no bosque. As brincadeiras de rua, riscada de giz. Mas o que marca a infância é a infância, que ficamos na lembrança sempre que vemos uma criança caindo de uma bicicleta e assoprando o mentiolate do ralado. O que mais marcou ainda vivo: a felicidade de ser o que era, com os mesmos inocentes e poderosos princípios.
Quarta-feira, Maio 06, 2009
vamos comemorar por aí, qualquer coisa assim como mais um dia..
um pó na televisão,
ou uns papéis jogados,
um trabalho que olhamos de canto e o recusamos por algum tempo,
comemorar o não fazer, quando se tem que fazer!
ah, vamos comemorar os que nos olham sem querer olhar
os que nos percebem
os que gostaríamos que nunca mais nos olhassem
comemorar a anotação de três semanas sem cumprir
o sono dormido a mais, sem pensar nas promessas
vamos comemorar esse dia sem alegrias, sem surpresas
comemorar a rotina,
vamos comemorar o sol, a caneta perdida, o café amargo
se tiver uma bolsa nova, podemos comemorá-la
qualquer motivo é motivo, sem explicações
nem vamos questionar os sorrisos
e tampouco as lágrimas
apenas a contemplação de um mundo
e qualquer mundo
até no seu imaginário, se assim lhe for mais conveniente, preciso e bonito!
Convido-lhe para um almoço, sem lugar nem data nem momento especial.
um pó na televisão,
ou uns papéis jogados,
um trabalho que olhamos de canto e o recusamos por algum tempo,
comemorar o não fazer, quando se tem que fazer!
ah, vamos comemorar os que nos olham sem querer olhar
os que nos percebem
os que gostaríamos que nunca mais nos olhassem
comemorar a anotação de três semanas sem cumprir
o sono dormido a mais, sem pensar nas promessas
vamos comemorar esse dia sem alegrias, sem surpresas
comemorar a rotina,
vamos comemorar o sol, a caneta perdida, o café amargo
se tiver uma bolsa nova, podemos comemorá-la
qualquer motivo é motivo, sem explicações
nem vamos questionar os sorrisos
e tampouco as lágrimas
apenas a contemplação de um mundo
e qualquer mundo
até no seu imaginário, se assim lhe for mais conveniente, preciso e bonito!
Convido-lhe para um almoço, sem lugar nem data nem momento especial.
Quarta-feira, Março 18, 2009
e
em se falando em mídia
há um leve sussurrar de controvérsias entre passar informação
e instigar ao ato
em se falando em mídia
há um leve sussurrar de controvérsias entre passar informação
e instigar ao ato
Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009
aos frescos ares que hão de ventar*
às vezes as coisas se tornam claras
como as tardes de antes
serenas dos outonos
quando caminhava nos trilhos
com o vento de frente
sem pensar que era tarde
para ser o que quisera ser
distante, o horizonte
se apresenta pleno
as nuvens se amontoam
e o sol se esconde
e lá, na linha infinita
tudo é tranquilo
sem pesares
meus sonhos flutuam
embalo na dança
dos capins crescidos
cardume em terra seca
vontades destemidas
de ultrapassar
os territórios
teu nome ainda intocado
o beijo ainda não roubado
e o tempo inclinado
para o oeste
e para sempre
de Rodrigo Cupelli
*o título do post não é o título do poema
como as tardes de antes
serenas dos outonos
quando caminhava nos trilhos
com o vento de frente
sem pensar que era tarde
para ser o que quisera ser
distante, o horizonte
se apresenta pleno
as nuvens se amontoam
e o sol se esconde
e lá, na linha infinita
tudo é tranquilo
sem pesares
meus sonhos flutuam
embalo na dança
dos capins crescidos
cardume em terra seca
vontades destemidas
de ultrapassar
os territórios
teu nome ainda intocado
o beijo ainda não roubado
e o tempo inclinado
para o oeste
e para sempre
de Rodrigo Cupelli
*o título do post não é o título do poema
Quinta-feira, Fevereiro 05, 2009
Em uma vida de couro marrom
Era o terceiro cigarro da noite e o último ainda melhor. Entre um dia e outro, entre uma vida e outra, fumava para espantar a solidão que a fazia temer e tremer de calafrios às 2h da manhã. Era a companhia que não tinha. O cigarro a fazia entender que não se fazer nada é também contemplação. É sentir sem ficar triste. Sentada em uma poltrona na varanda, de frente com a lua e aquele céu azul oceano. A estrela mais brilhante não estava lá, como muitas outras estrelas e pessoas também não estavam. Sem um nome específico, apenas ninguém (ou alguém). E era o momento onde poderia tentar de tudo, até suicídio – se isso passasse pela cabeça. Decidiu fazer círculos de fumaça com o gosto do cravo que adocicava a boca. E, ao pensar apenas na perfeição das auréolas, ela se sentiu meditando. A nicotina veio em sua cabeça como uma droga que dopa e enxuga os vestígios de lágrimas que ousavam se formar em abundância. Agora, vê a fumaça saindo de sua boca e só.
Mas o transe se esvai quando um pequeno animal desce pela parede. A menina demora a entender o que deveria ser feito. A doce ilusão do não viver acabou e ela mata a barata.
Era uma das primeiras vezes que não saía desesperada gritando pelo nojo. A solidão faz isso com as pessoas (se não eu, quem?). A fumaça, a auréola, a lua e o não pensamento: o que um acontecimento inusitado não estraga?
Mas foi intenso enquanto durou, assim como tudo na vida dela – das duas.
Mas o transe se esvai quando um pequeno animal desce pela parede. A menina demora a entender o que deveria ser feito. A doce ilusão do não viver acabou e ela mata a barata.
Era uma das primeiras vezes que não saía desesperada gritando pelo nojo. A solidão faz isso com as pessoas (se não eu, quem?). A fumaça, a auréola, a lua e o não pensamento: o que um acontecimento inusitado não estraga?
Mas foi intenso enquanto durou, assim como tudo na vida dela – das duas.
Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009
- Tudo aquilo que vimos lá fora, dizem que é Deus. Que toda aquela presença é ele. Mas não acredito nisso. Deus, para mim, é um paradigma. É algo que aprendi a acreditar, mastiguei, mas, por medo, não ouso quebrar. Deus, pra mim, é a noite que entra, nebulosa, que traz meus desejos mais incontidos. Dono dos meus segredos, os nunca contados. Deus é minha ânsia de proteção aos que eu amo. Deus é a desculpa para o que se faz de errado. É a fuga para quem não tem força. É o não saber. Eu só acredito em Deus quando vou dormir e porque virou um hábito. Nenhuma daquelas crianças felizes que vimos sustentam a vida delas em alguma força. Elas apenas são. Não buscam: são!
Quando morri, encontrei o estranho na porta do céu. Entre nuvens e palavras mal ditas, zombou de minha ignorância:
- Desce!
Quando morri, encontrei o estranho na porta do céu. Entre nuvens e palavras mal ditas, zombou de minha ignorância:
- Desce!
Quarta-feira, Janeiro 07, 2009
E quando poderei usar os sapatos de minha vó, jogados e enlatados na estante. Vermelhos e inseguros, eles se deparam com o quase cair. Ninguém os tira, nem o pó!
Do pó tudo vem e vai. E, ao pó, ele se esvai antes da hora: quando eu os poderia calçar, visto que meus pés entrassem pra valer.
Do pó tudo vem e vai. E, ao pó, ele se esvai antes da hora: quando eu os poderia calçar, visto que meus pés entrassem pra valer.
Segunda-feira, Novembro 10, 2008
Rabiscos
E é nesse rascunho de papel em branco que tento me soltar. E é nele que as palavras se vão, se perdem na lixeira embaixo da mesa. Um rascunho onde tudo poderia acontecer. Toda sombra, todo cavaleiro a lutar com seu dragão, toda nuvem, toda queixa, toda expectativa do mundo. E é disso que o lixo transborda. Minha pequena lixeira de sonhos. Um dia, minha mente há de transbordar o papel, percorrer a mesa inteira, meu corpo e minha alma, e há de chegar em você. Quem sabe, talvez.
Segunda-feira, Outubro 20, 2008
O uso do filtro solar na comida do lixão
“Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro seria esta: Use filtro solar!”

A região pélvica do menino sentado na lata coçava na medida que o sol esquentava o centro da cabeça dos que estavam por ali.
O calor do lixão é ainda mais insuportável quando reune o mal cheiro e a névoa que se forma no horizonte – menos fresca do que aquela do asfalto em dias de temperatura alta.
Enquanto esperava o próximo caminhão, o menino não exitou por vergonha alguma e nem se deixou abater por olhares de reprovação. Fez o que tinha para fazer: coçar a virilha.
Em dias de temperatura amena, ou quando está frio, o menino dificilmente sente coceiras. E, dessa vez, o motivo não está ligado à cabeça de ninguém e muito menos ao sol forte.
O seu banquete no papel alumínio, ou em sacolas plásticas, ou em potes, ou junto com outras coisas, dificilmente estraga enquanto os 40º não chegam.
Portanto, para que o menino não coce a virilha e para que não morra de fome, recomenda-se o uso do filtro solar nos alimentos, em dias que a temperatura comece a cruzar a linha dos 30.
No verão, o calor e as pancadas de chuva são constantes. O menino não reclama tanto de comida lavada, comida sem gosto. O moleque até acha bom, quando se trata de alimento temperado com pimenta – ele e suas alergias. Mas quando o bolor atinge um grau elavado, ou quando o azedume anda difícil de engolir, o menino se chateia.

A região pélvica do menino sentado na lata coçava na medida que o sol esquentava o centro da cabeça dos que estavam por ali.
O calor do lixão é ainda mais insuportável quando reune o mal cheiro e a névoa que se forma no horizonte – menos fresca do que aquela do asfalto em dias de temperatura alta.
Enquanto esperava o próximo caminhão, o menino não exitou por vergonha alguma e nem se deixou abater por olhares de reprovação. Fez o que tinha para fazer: coçar a virilha.
Em dias de temperatura amena, ou quando está frio, o menino dificilmente sente coceiras. E, dessa vez, o motivo não está ligado à cabeça de ninguém e muito menos ao sol forte.
O seu banquete no papel alumínio, ou em sacolas plásticas, ou em potes, ou junto com outras coisas, dificilmente estraga enquanto os 40º não chegam.
Portanto, para que o menino não coce a virilha e para que não morra de fome, recomenda-se o uso do filtro solar nos alimentos, em dias que a temperatura comece a cruzar a linha dos 30.
No verão, o calor e as pancadas de chuva são constantes. O menino não reclama tanto de comida lavada, comida sem gosto. O moleque até acha bom, quando se trata de alimento temperado com pimenta – ele e suas alergias. Mas quando o bolor atinge um grau elavado, ou quando o azedume anda difícil de engolir, o menino se chateia.
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